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Descubra o que está causando seu esquecimento

Depois da maternidade, algumas mulheres percebem que passaram a esquecer compromissos, perder objetos com maior frequência ou ter dificuldade para lembrar o que estavam prestes a fazer.

Esquecimento frequente: saiba quando a falha de memória exige investigação médica

Esse fenômeno ficou popularmente conhecido como “mom brain” ou “cérebro de mãe”.

E ele pode envolver muito mais do que apenas cansaço.

A gravidez realmente pode mudar o cérebro

Pesquisas que acompanharam mulheres antes e depois da gravidez encontraram alterações em determinadas regiões da massa cinzenta do cérebro.

A massa cinzenta participa de funções importantes como memória, tomada de decisões, emoções, percepção social e processamento de informações.

Durante a gravidez, algumas áreas podem apresentar redução de volume.

Mas isso não significa necessariamente perda de capacidade ou que o cérebro esteja “encolhendo” de maneira prejudicial.

Pesquisadores acreditam que parte dessas alterações pode representar uma reorganização cerebral, semelhante a um refinamento das conexões neurais.

O cérebro pode estar se adaptando à maternidade

Algumas das regiões que apresentam mudanças estão relacionadas à capacidade de interpretar emoções, perceber sinais sociais e responder às necessidades de outras pessoas.

Ou seja: o cérebro pode passar por uma espécie de adaptação para as novas exigências da maternidade.

Isso ajuda a explicar por que mudanças na massa cinzenta despertaram tanto interesse em pesquisas sobre saúde da mulher, neurologia e maternidade.

Algumas dessas alterações cerebrais também podem permanecer por anos depois da gravidez.

Então por que a mãe começa a esquecer mais?

Não existe uma única causa.

O esquecimento pode resultar da combinação de vários fatores:

  • alterações hormonais;
  • mudanças na massa cinzenta;
  • privação de sono;
  • estresse;
  • ansiedade;
  • sobrecarga mental;
  • necessidade de administrar muito mais informações diariamente.

Imagine um cérebro que antes precisava organizar trabalho, casa e compromissos pessoais.

Depois da maternidade, ele pode precisar acompanhar alimentação, sono, consultas, medicamentos, escola, segurança, trabalho e dezenas de outras pequenas decisões.

A quantidade de informações concorrendo pela atenção aumenta significativamente.

Existe outra mudança ainda mais curiosa

A gravidez também permite que pequenas quantidades de células do bebê atravessem a placenta e entrem no organismo materno.

Esse fenômeno é chamado de microquimerismo fetal.

Algumas dessas células podem permanecer no corpo da mãe durante décadas e já foram identificadas inclusive no cérebro.

Ainda não foi comprovado que essas células provoquem alterações de memória, mas a descoberta mostra como a gestação pode deixar marcas biológicas extremamente duradouras.

A maternidade não deixa o cérebro “pior”

Essa é provavelmente a parte mais importante.

As alterações na massa cinzenta do cérebro não devem ser interpretadas simplesmente como perda.

O cérebro possui grande capacidade de adaptação.

Enquanto determinadas funções podem ficar temporariamente prejudicadas por falta de sono, estresse ou sobrecarga, outras habilidades relacionadas à atenção ao bebê, identificação de ameaças e percepção emocional podem ser reforçadas.

Por isso, quando uma mãe diz que “não tinha essa memória antes de ter filhos”, pode existir uma combinação real de mudanças cerebrais, hormonais e comportamentais por trás dessa percepção.

Porém, esquecimentos intensos, progressivos ou que prejudiquem atividades do cotidiano devem ser avaliados por um profissional de saúde, pois também podem estar associados a alterações da tireoide, deficiência nutricional, ansiedade, depressão ou outros problemas de saúde.

Priscila
Priscila
Artigos: 24

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