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A verdade sobre o consumo do vinho para fins medicinais

Durante muitos anos, a ideia de que o vinho protege o coração foi amplamente divulgada. Diversos estudos observacionais sugeriam que pessoas que consumiam vinho moderadamente apresentavam menor incidência de algumas doenças cardiovasculares. Porém, nos últimos anos, essa teoria passou por uma grande reavaliação científica.

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Hoje, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe um nível de consumo de álcool totalmente livre de riscos para a saúde. Segundo a entidade, o álcool é uma substância tóxica e carcinogênica, e os riscos começam desde os primeiros níveis de consumo, aumentando conforme a quantidade ingerida.

Então, o vinho protege o coração?

A resposta mais atual é: não há evidências suficientes para recomendar o consumo de vinho com o objetivo de proteger o coração.

Durante décadas, muitos pesquisadores acreditaram que o vinho protege o coração devido à presença de antioxidantes, como o resveratrol, encontrado principalmente no vinho tinto. Entretanto, estudos mais recentes mostraram que os aparentes benefícios observados podem estar relacionados ao estilo de vida das pessoas avaliadas e não necessariamente ao vinho.

Em muitos casos, quem consumia vinho moderadamente também praticava exercícios físicos, seguia uma alimentação equilibrada, fumava menos e realizava consultas médicas com maior frequência. Esses fatores podem explicar boa parte dos resultados encontrados nas pesquisas.

O que a OMS diz sobre o álcool?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que o álcool está associado a mais de 200 doenças e condições de saúde, incluindo doenças cardiovasculares, doenças hepáticas, diversos tipos de câncer e lesões decorrentes de acidentes. A OMS também reforça que o risco aumenta conforme a quantidade e a frequência do consumo.

Em uma declaração publicada pela OMS, os especialistas afirmam que não há evidências científicas capazes de definir uma quantidade de álcool considerada completamente segura para a saúde. Além disso, a organização ressalta que os possíveis benefícios cardiovasculares sugeridos em alguns estudos não superam os riscos já conhecidos, especialmente em relação ao câncer.

E o resveratrol?

É verdade que o vinho tinto contém resveratrol, um composto antioxidante bastante estudado. Em pesquisas realizadas em laboratório, essa substância demonstrou potencial para proteger células contra danos oxidativos.

No entanto, existe um detalhe importante: a quantidade de resveratrol presente em uma taça de vinho é pequena. Os efeitos observados em estudos experimentais geralmente utilizam concentrações muito superiores às obtidas por meio do consumo habitual de vinho. Por isso, os especialistas não recomendam beber vinho para obter esses possíveis benefícios.

Qual é a melhor forma de proteger o coração?

Se o objetivo é manter uma boa saúde do coração, as evidências científicas apontam medidas muito mais eficazes do que consumir vinho:

  • Praticar atividade física regularmente.
  • Manter uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes e grãos integrais.
  • Controlar a pressão arterial, colesterol e diabetes.
  • Dormir bem.
  • Não fumar.
  • Manter um peso saudável.

Esses hábitos apresentam benefícios consistentes e comprovados para reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

Conclusão

A crença de que o vinho protege o coração surgiu a partir de estudos que hoje são analisados com mais cautela. Atualmente, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto diversas entidades internacionais de saúde afirmam que não há motivo para começar a consumir vinho ou qualquer outra bebida alcoólica com a finalidade de melhorar a saúde cardiovascular. Para quem já bebe, a orientação é simples: quanto menor o consumo, menor tende a ser o risco para a saúde.

Priscila
Priscila
Artigos: 18

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